Economia comportamental

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Imagine que você planejou entrar em forma, perder uns quilos, voltar a usar aquela roupa que está mofando no armário. Então, você decide caminhar na praia. Depois de todo o esforço, passando por um carrinho de pastel, aqueles com cheirinho de fritura e recheios com aromas para todos os gostos, você pensa que merece um, não?

Muitas vezes agimos assim, certo? Colocamos em conflito metas de curto e longo prazos.

Por muito tempo, as teorias econômicas assumiam que nós somos racionais, que calculamos decisões que maximizem nosso bem-estar econômico, almejamos a riqueza, evitamos esforços desnecessários e tomamos todas as nossas decisões de forma que alcancem nossos objetivos.

No entanto, mais recentemente – para a história da economia -, fala-se muito de economia comportamental. Ela incorpora pensamentos de áreas como psicologia, biologia e neurologia para melhorar o modelo do homem econômico, porque nem sempre somos racionais.

Lembra do exemplo do começo? O homem dos modelos econômicos clássicos não comeria o pastel.

Muitas vezes falhamos no autocontrole e não tomamos as melhores decisões, principalmente a longo prazo. E é verdade que a economia é essencial na vida de todos, mas com ressalvas.

Os dados do país mexem com sua vida, mas duvido que todo dia antes de sair de casa você olhe todos os noticiários e baseie sua agenda neles. Funcionamos de várias formas e juntar outras áreas à economia ajuda a nos explicar.

A economia comportamental foi, aliás, a pauta do ganhador do último Nobel, Richard Thaler.

Ela está ajudando, por exemplo, a estimular que as pessoas entrem em planos de previdência privada. Nossa citada falta de autocontrole deixa coisas importantes para trás. Segundo Thaer, somos influenciados por fatores emocionais, como aversão a perdas. Achamos ser melhor não perder R$10 a ganhar R$10.

A decisão sobre previdência é influenciada por como ela é mostrada. Se temos que optar por deixar um plano de aposentadoria, o adotamos mais do que se precisarmos decidir por ter um.

Se o dinheiro estiver na mão, já era. Aliás, tratamos dinheiro que ganhamos diferentemente. Já reparou o quanto lojas e bares em cassinos ganham? Os sortudos preferem gastar durante a euforia a poupar para tempos ruins.

vanessa