Pegação geral

Em tempos de amores e vida líquida, a ‘pegação’ está rolando solta. E é até gostoso, do ponto de vista das múltiplas experiências que proporcionam em desacordo com o ‘casar virgem’ vigente até pouco tempo atrás.

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Uma amiga mãe de adolescente levou a filha em uma balada e, com sua atenção voltada a observar o que rolava além da experiência musical, viu meninas beijando meninos pertinho dela e logo ali beijando uma menina, e vivendo isso como algo natural e sem questionamentos sobre orientação sexual, vergonha ou mesmo romantismo e esperança do telefonema do dia seguinte.

Sinal dos tempos em que o fugaz tem um largo espaço. Sem dúvida estamos diante de uma revolução de hábitos e costumes, mas também na maneira de expressar a sexualidade. A diversidade e liberdade sexual hoje, traz uma boa nova: o julgamento moral que nos antecedeu e reprimiu e causou tantas dores hoje já não existe mais na sua face repressiva.Vale ressaltar que, apesar dos aspectos envolvidos, essa liberdade é uma forma de aprendizado, de autoconhecimento sexual, mas não é sinônimo de intimidade e qualidade de relação.

Vínculos fracos dão margem a muitas decepções e surpresas, nem sempre agradáveis, haja vista o quanto vemos e ouvimos dizer de relacionamentos traídos, pela falta de respeito e de confiança, tais como nudes e selfies íntimos expostos aos montes trazendo sempre muita dor, não tanto pela nudez ou exposição sexual, mas pela traição da confiança.

Começamos falando de adolescentes, mas a verdade é que os adultos também estão perdidos quanto ao limite da intimidade sem vínculo nessa nova maneira de relacionamentos.

E as famílias devem ter a humildade de reconhecer que a novidade também traz inseguranças em relação às mudanças no comportamento social, afetivo e sexual. Negar e reprimir não são o melhor caminho, pois o universo digital trará possibilidades, histórias e exemplos.

Diante de tanta informação, experiências e tatuagens culturais, o segredo está em abrir o diálogo, criar ambientes de confiança, assegurar espaço de falar e pensar, e criarmos um amplo debate entre pais e filhos, marido e mulher e amigos.

Assim, seremos os construtores dessa nova moral, diferente daquela passada em que repressão e sublimação eram as palavras de ordem, mas que criemos uma liberdade em que valores muito caros sejam preservados. E o principal deles é não deixarmos o afeto esmorecer em qualquer relação, mesmo as mais fugazes. Afeto que não permitirá que o desrespeito e a falta de consideração sejam a tônica das relações.

marcia