Wanderléa em ’60! Década de Arromba – Doc. Musical’

Um espetáculo vibrante, não-biográfico, sem dramaturgia clássica e tampouco personagens, capaz de levar o público a uma viagem no tempo por uma década de arromba. Quando a desconstrução de tudo que já se assistiu nos palcos do teatro é, na verdade, sua obra-prima, nasce um gênero inédito: o Documentário Musical.

“60! Década de Arromba – Doc. Musical” abraça Wanderléa – um dos maiores ícones brasileiros do período – como sua grande musa e faz memória de fatos que marcaram cada um dos anos entre 1960 e 1969. O resultado foi aplaudido de pé por mais de 37 mil pessoas que lotaram todas as sessões da temporada de estreia no Rio de Janeiro – e levaram a sua prorrogação. A montagem original assinada por Frederico Reder e Marcos Nauer chega ao Theatro NET São Paulo para mais uma série de apresentações.

Fotos 60! década de arromba doc. musical (6)

O espetáculo divide sua narrativa em dois atos. Enquanto o primeiro, correspondente aos anos de 1960 a 1965, trata de um período com sabor de inocência, lirismo e ainda arraigado nos preconceitos dos anos 50, o segundo (1966-1969) apresenta a revolução sexual, os protestos dos jovens inconformados com a política e seus embates por meio das artes, da música e do amor.

Ao longo da apresentação, números musicais e circenses, mágicas, coreografias e projeções autênticas do período retratado preenchem o palco com a vida real em seus grandes acontecimentos: quedas e ascensões presidenciais; casamentos de personalidades como Celly Campello e Elvis Presley; grandes guerras e a Nova Ditadura no Brasil; lançamentos de produtos de grandes marcas, como o Nescau, a primeira Barbie negra e boneco Ken; falecimento de nomes como John F. Keneddy, Edith Piaf, Maysa, Ary Barroso e Marilyn Monroe; as primeiras idas humanas ao Espaço; consagração dos músicos Bibi Ferreira, Emilinha Borba, Cauby Peixoto, a banda Beatles e outros; a chegada do Surf Music e do Twist ao Brasil; dentre inúmeros outros fatos histórico-culturais apresentados à plateia, que em 180 minutos relembra, conhece, se identifica e se apaixona pela época.

Wanderléa, a ternurinha de 1960 e do público

Nada melhor para documentar os anos 60 do que fazer presente sua memória viva. Para isso, “60! Década de Arromba – Doc. Musical” traz Wanderléa, no auge de seus 70 anos de idade e comemorando os 50 de carreira que compartilha com o surgimento da Jovem Guarda no Brasil.

Fotos 60! década de arromba doc. musical (7)

A cantora participa pela primeira vez de um musical, não como personagem e, sim, como ela própria, cantando suas músicas e estabelecendo um canal direto e carinhoso de comunicação com o público. Wanderléa tem a mesma ousadia e irreverência que representou na década de 60, e agora divide com a plateia a emoção de tudo o que viveu. “Aceitar o convite do Frederico é um grande presente. Fiquei muito emocionada em receber essa homenagem justamente quando a Jovem Guarda completa 50 anos. Nunca havia imaginado integrar um grande musical”, conta Léa.

Quando em 1960 mulheres marcaram época ao redor do mundo com frases que deram o que falar, como a francesa Simone de Beauvoir e a célebre “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, e Marilyn Monroe, que bradava o lema “Mulheres comportadas raramente fazem história”, no Brasil nomes como Leila Diniz não ficavam atrás em atitude e grandes feitos.

Fotos 60! década de arromba doc. musical (5)

Ícone pop da década, Wanderléa sempre foi considerada um símbolo de vanguarda. Primeira mulher a posar nua grávida para uma foto e pioneira no uso das minissaias e do silicone, contribuiu para os direitos e a liberdade das mulheres de sua geração. Ninguém melhor do que ela para, 50 anos mais tarde, transmitir aos espectadores os anseios que moviam o espírito jovem da época. No espetáculo, Léa apresenta a veia transgressora feminina em canções como “Pare o Casamento” e “Prova de Fogo” – quando surge no palco montada em uma potente motocicleta –, e caminha no meio da plateia recebendo de perto a calorosa saudação dos fãs.

A criação de um gênero

Para trazer ao teatro a emoção de uma década conturbada política e economicamente, mas muito rica artisticamente, o diretor Frederico Reder e o roteirista Marcos Nauer se uniram em um trabalho com ares de descoberta.

Depois de uma extensa pesquisa, vieram a organização cronológica do material e o início da concepção de um roteiro e formato. Foi quando nasceu o Documentário Musical. “Foram três meses lendo livros, visitando sebos empoeirados e virtuais, assistindo a filmes e vídeos de registros da época. Me apaixonei pelos anos 60 e comecei a sentir saudade daquilo que eu nem mesmo vivi”, relata Nauer.

Fotos 60! década de arromba doc. musical (1)

Reder conta que a autenticidade do gênero que tinham acabado de criar veio sem pretensão. “Aos poucos começamos a construir o Doc. Musical, sem referências para nos inspirar e com todas as inseguranças, ousadias, prazeres e alegrias que isso nos acarreta. Senti que o público queria ser surpreendido por algo novo e criamos uma produção 100% inédita, a partir do desejo de juntar o conteúdo audiovisual e o live show”, explica o diretor.

O espetáculo inicia com um prólogo em 1922 contando a chegada do Rádio no Brasil, para em seguida mostrar o início da Televisão e sua popularização na década de 1960.  A partir daí, narra os principais acontecimentos dos dez anos seguintes, junto a mais de cem canções dos mais diversos gêneros. De Roberto e Erasmo Carlos, passando por Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto, Elvis Presley, Beatles, Tony e Celly Campello, Bibi Ferreira, Edith Piaf, Tom e Vinicius, Milton Nascimento, Gil e Caetano, Maysa, Geraldo Vandré e tantos outros nomes importantes na música.

No lugar da dramaturgia, o repertório musical dá o tom de cada cena. “Ao ouvir as canções e ler os fatos históricos, ano a ano, tudo começou a fazer sentido. Músicas sobre a lua estouravam no mesmo momento em que o homem sonhava em conquistá-la, a força do rock revelava a força mobilizadora e revolucionária dos jovens que mudariam para sempre a história política e social da humanidade, a explosão da imagem na TV transformava a comunicação, a arte e o esporte, e principalmente as conquistas das forças das mulheres que reconstruíram e libertaram a identidade feminina”, detalha Marcos.

Já a cênica do Doc. Musical fica a cargo dos acontecimentos mais marcantes da década, projetados em duas telas que sobem e descem no palco ao longo da apresentação. “Tudo que está em cena se originou do documental, do fato, da história real. Não há personagens definidos, o elenco é, na verdade, todas as pessoas que viveram aquela época. As músicas são cantadas na cronologia em que foram lançadas e fizeram sucesso”, completa o roteirista.

Preparação e Bastidores

Da concepção de “60! Década de Arromba – Doc. Musical” a sua estreia seguiram-se dois meses de preparação e montagem. Os 24 atores, cantores e bailarinos em cena passaram por 360 horas de ensaios. Além de preparação vocal e aulas de coreografia e movimentos de palco, o elenco recebeu um coaching especial para aprender a mexer o corpo como um boneco – recurso utilizado nas cenas em que interpretam Barbie e Ken – e treinamento de técnicas circenses, como dança suspensa e mágica, também presentes no espetáculo.

A escolha do repertório não foi fácil, mas chegou praticamente pronta nas mãos de Tony Lucchesi, através do roteiro muito bem detalhado de Marcos Nauer. Os últimos ajustes foram finalizados pelo diretor musical no decorrer da montagem e ensaios. “Recebemos um roteiro lindo, quase um livro ilustrado. Foi difícil fazer cortes e deixar o espetáculo menor, pois a década de 60 é muito rica musicalmente. O desafio para a direção musical foi dar continuidade de um número pra outro, já que eles contam tantas histórias diferentes e costuram um contexto bem específico da década. Se soassem como os números são originalmente, não aproximariam o público da proposta de documentário”, justifica Tony.

O diretor ainda elogia a ótima participação da cantora Wanderléa no corpo de músicos e atores do Documentário Musical: “Ela é um show à parte. É história viva que pulsa na nossa peça anunciando que o tempo do amor já chegou. Vale a pena conferir”.

Para cada uma das mais de cem músicas foi necessário criar coreografias e marcações precisas, resgatando a memória gestual e de atitude da juventude dos anos 60 em suas inúmeras tendências – o estouro do Twist, a sobriedade da Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Iê Iê Iê (versão “abrasileirada” do Yeah! Yeah! Yeah! americano) que inspirou um movimento forte e potente do Rock’N Roll com a sensibilidade e malandragem do brasileiro. O trabalho é assinado pelo coreógrafo Victor Maia. “São muitas referências e o corpo retrata tudo isso. Elas tinham que aparecer em cena nesse espetáculo, que é inteiro coreografado. Até o corpo parado é opção coreográfica”, explica Victor.

A experiência teatral e de televisão do coreógrafo (Victor assina as coreografias do quadro “Lata Velha”, do Caldeirão do Huck) o ajudou a vencer os maiores desafios desse espetáculo: “O primeiro deles foi tentar não ser repetitivo. Buscar na genialidade das referências que eu tinha o combustível para criar coreografias que seduzissem o público, com um elenco em que apenas 5% dos componentes são bailarinos – eis meu segundo desafio. Eu precisava igualar a energia e fazer com que as pessoas acreditassem que todos dançam igual. A temporada no Rio de Janeiro me fez acreditar que cumpri esse quesito com louvor”, comemora.

Maia acrescenta que, para Wanderléa, teve a preocupação de preservar a integridade sua física e de não expô-la a qualquer dificuldade técnica. “Léa tem 70 anos e a gente esquece disso porque ela é super ativa! Em algumas músicas ela se mantem sozinha no palco, porque o público quer tirar uma casquinha dela em cena, como nos velhos tempos. Mas em determinados números ela se integra totalmente ao corpo de baile e realiza passos que surpreendem. Me aproveitei inclusive das coreografias que, segundo ela, treinava na frente do espelho aos 20 anos para se apresentar na TV, e inseri no show. É catártico! A plateia identifica e dança junto”, revela o coreógrafo.

Com uma moldura no palco que simula botões de volume e troca de canal, o espetáculo parece transmitido de “dentro” de uma televisão. Duas telas de projeção, no fundo e na boca de cena, sobem e descem ao longo da apresentação revelando notícias dos grandes acontecimentos da época. Elas são complementadas por 50m² de leds, em uma cenografia que faz referência à década de 60 com um olhar contemporâneo. “A forma geral da cenografia remete a um grande televisor, elemento que estava entrando no cotidiano das casas brasileiras e que mudou significativamente o modo de vender, vestir e até mesmo pensar. Para trabalhar a memória emotiva do público escolhemos objetos da época, que carregam em si histórias e despertam lembranças”, detalha a cenógrafa Natália Lana.

Já o figurino preparado por Bruno Perlatto e sua poderosa equipe impressiona. São 125 perucas, 350 figurinos e mais de 50 acessórios, revezados em mais de 200 trocas de roupa feitas pelos atores durante o Doc. Musical. O figurinista entrou para o projeto faltando pouco mais de um mês para a estreia no Rio. “Fomos criando e confeccionando ao mesmo tempo, porque o prazo era curto. Mas foi um processo muito gratificante, porque a década de 60, esteticamente falando, não é homogênea. As formas começam muito parecidas com os anos 50, depois vão ficando mais secas, as saias menos rodadas. E aí tem a entrada do geometrismo e, mais perto dos anos 70, essas estampas ficam mais fluidas. A moda vai ficando mais unissex, mais moderninha”, descreve Bruno.

Ele explica que as peças não só caracterizam o vestuário da época, como complementam a construção da narrativa do espetáculo, marcando a passagem dos anos. “É diferente de quando um figurino acompanha a história de um personagem. Com não tem essa dramaturgia clássica, cada música conta uma história diferente da outra e as roupas acompanham esse movimento. Por isso tem tantas trocas”, comenta o figurinista.

Os figurinos da protagonista Wanderléa mereceram atenção especial. A criação para a grande homenageada do espetáculo foi especial e participativa: a cantora acompanhou pessoalmente desde os croquis à escolha dos tecidos. “Ela foi super aberta ao que a gente propôs, gostou muito, assim como todos os 24 atores do elenco. O figurino dela remete à época, mas também tem um pouco da personalidade dela e de tudo o que ela gosta de usar. A década de 60 está toda ali, em uma releitura com mais frescor, mais jovem. Não tenho o que falar da Wanderléa, só agradecer, porque ela é uma luz no espetáculo”, comemora Perlatto.

 

Números e curiosidades de uma superprodução inédita

– 10 músicos na orquestra
– 24 atores, cantores e bailarinos em cena, além de Wanderléa
– Ao todo, 60 profissionais atuando durante o espetáculo
– Mais de 157 pessoas envolvidas na produção e concepção
– 125 perucas, 350 figurinos e mais de 50 acessórios
– Em média 200 trocas de roupa, 5 delas da Wanderléa
– 360 horas de ensaio
– 180 minutos de espetáculo (com intervalo)
– 50m² de leds e duas telas de projeção de 13x6m
– Por questões de agenda, os ensaios iam até as 1h30 da madrugada
– Foi um ano de negociação até Wanderléa aceitar o convite
– A filha e o companheiro de Wanderléa estão no espetáculo
– O cenário de São Paulo será maior que o do Rio de Janeiro, para se adaptar ao palco
– Uma senhora desmaiou de emoção durante uma apresentação (18/03) no Rio de Janeiro e foi atendida pelo bombeiro de plantão. Passado o susto, quis voltar para a plateia
– É comum terem depoimentos emocionados do público depois do espetáculo. A frase “estado de graça” é bastante usada

Período: 10 de abril a 28 de maio – PRORROGADA ATÉ A ÚLTIMA SEMANA DE AGOSTO
Local: Theatro NET São Paulo (Shopping Vila Olímpia, 5º Andar – Rua Olimpíadas, 360. SP)
Horários: 20h30 (quintas e sextas); 17h e 21h (sábados); 17h (domingos)
Duração: 180 minutos (com intervalo)
Classificação: 12 anos
Capacidade: 799 lugares
Preços dos ingressos: De R$ 40,00 a R$220,00

Vendas pela bilheteria do Theatro NET SP (aberta de segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 12h às 20h), sem taxa de conveniência. Pela internet, no site www.ingressorapido.com, com taxa. Mais informações pelo telefone (11) 4003-1212.

 

 

 

 

 

 

Ficha Técnica:

 

Roteiro e Pesquisa: Marcos Nauer

Direção: Frederico Reder

Direção Musical, arranjos vocais e instrumentais e preparação: Tony Lucchesi

Coreografia: Victor Maia

Diretora Assistente: Alessandra Brantes

Figurino: Bruno Perlatto

Cenário: Natália Lana

Design de Luz: Daniela Sanchez

Design de Som: Talita Kuroda e Thiago Chaves

Videografismo cenário: Thiago Stauffer/ Studio Prime

Equipe de videografismo: Carlos Dutra, Jupy Reynaldo, Diogo Esteves e Lucas Vilella

Comunicação visual: Barbara Lana

Diretora Residente: Roberta Cid

Direção de Produção: Juliana Reder e Frederico Reder

Produtores Associados: Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr

Diretor de Espetáculos Brain+: Leo Delgado

Diretora de Marketing Brain+: Fabia Gomes

Gerente de Marketing Brain+: Luana Ribeiro

Analista de Marketing Online: André Rosas

Analista de Marketing: Júlia Mendonça

Produtor Executivo: Leandro Bispo

Produtor Assistente: Allan Fernando

Analista de Marketing Online: André Rosas

Design Gráfico: Phillippe Seabra

Produtor de Comunicação: Allan Fernando

Equipe de filmagem: Vinícius Monte e Macário Silva

Fotógrafo: Roberto Schwenck

Marketing Cultural: Rodrigo Medeiros e Gloria Diniz

Assistente de Direção Musical e Arranjos Instrumentais: Alexandre Queiroz

Figurinista Assistente: Teresa Abreu

Cenotécnico: André Salles

Cenógrafos Assistentes: Marieta Spada e Guilherme Ribeiro

Pesquisa e tratamento de imagem: Barbara e Kadu Lobato

Coreógrafa Assistente: Clara da Costa

Dance Captain: Rodrigo Morura

 

Elenco: Wanderléa, Amanda Döring, Analu Pimenta, André Sigom, Bel Lima, Camila Braunna, Deborah Marins, Erika Affonso, Ester Freitas, Fabiana Tolentino, Fernanda Biancamano, Giu Mallen, Jade Salim, Leandro Massaferri, Leo Araujo, Marcelo Ferrari, Mateus Ribeiro, Pedro Arrais, Rachel Cristina, Raphael Rossatto, Rodrigo Morura, Rodrigo Naice, Rodrigo Serphan, Rosana Chayin, Tauã Delmiro, Gabi Lopes